CARPE NOCTEM - O mundo da meia-noite de São Paulo


22/11/2009


Livros de fantasia

Boa noite a todos!

Meu amigo Roberto de Sousa Causo, companheiro e tantos eventos e acontecimentos da literatura fantástica, grande batalhador do gênero nessas plagas, me escreveu pedindo para divulgar, nesse humilde blog, dois livros em que seu nome aparece. O primeiro, Rumo à fantasia, é uma coletânea, repleta de clássicos e de narrativas modernas, editada pela Devir, editora que tem selos para fantasia, horror e ficção científica, e da qual Causo é colaborador ( ele é o editor do referido livro).

O segundo, Anjo de dor, é mais uma narrativa fantástica por ele escrita, um romance de horror, também editado pela Devir - vale a pena conferir seu catálogo, cliclando no link à direita e conhecer a obra de Causo e sua coluna  eletrônica semanal sobre literatura fantástica, no Terra Magazine.

Abaixo, as capas:

Escrito por Caio Bezarias e André Pavesi às 01h00
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14/11/2009


Próximo conto

Boa noite a todos!

O próximo conto será publicado em breve. Como sua produção foi algo incomum (não perguntem porquês e detalhes), o preview será também incomum: nada de trechos, apenas o anúncio de que o segundo episódio das aventuras de Laura e Ingrid está chegando.

Escrito por Caio Bezarias e André Pavesi às 03h40
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05/09/2009


Artigo sobre Fantasia

Boa noite a todos!

Os frequentadores desse blog que me conhecem pessoalmente já sabem disso há tempos, e os demais agora saberão: este que vos escreve é, além de professor de língua portuguesa, escrevinhador medíocre e frequentador da vida noturna de São Paulo, pesquisador acadêmico de literatura fantástica, com mestrado sobre Howard Phillips Lovecraft e o escambau. E mais um desses escambaus foi publicado há pouco: tive o privilégio de ser convidado por Edgar Nolasco e Rodolfo Londero para integrar a coletânea de artigos Literaturas Invisíveis - Ficção Científica, Auto-ajuda & Cia, publicada pela editora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Contribui com um artigo sobre os sentidos políticos da literatura de fantasia moderna, em que defendo a desprezada riqueza de sentidos do gênero e desço o sarrafo no preconceito que o meio universitário nutre pela fantasia. Para mais informações,acesse o link, recém-adicionado a nossa lista à direita.

Caio Bezarias


Escrito por Caio Bezarias e André Pavesi às 02h05
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20/07/2009


Vinte anos depois - parte I, por André L.Pavesi, com revisão de Caio Bezarias

 Vinte anos depois, ainda querendo um pouco de diversão noturna


Mesmo nessa pocilga que alguns chamam de pista de dança, lotada e nublada por gelo seco e cigarros, eu não a perco de vista. Ela não sabe quem eu realmente sou, envolvida numa teia de mentiras tão frágil quanto qualquer farsa. Quando caminha até mim, com sua atitude blasé e suas cigarrilhas alemãs, minha presa não faz idéia do ardor que corre em meu sangue. Sigo seu jogo, baby, mas as regras são minhas.

 

Com um movimento estudado de corpo, a bela Ivana, também conhecida como Lady Vamp por seus amiguinhos góticos, joga seus longos cabelos bicolores sobre um dos ombros, revelando pescoço, nuca e um perfume infernalmente doce. Antes que eu mesmo perceba o que estou fazendo, envolvo seu corpo com meus braços, e começamos a dançar. Dominamos a pista, enlaçados e perdidos para o mundo. Ela me provoca ao máximo, nesse nauseante joguinho de sedução, num instante dizendo “Venha!”, no seguinte me afastando. Toco sua pele macia como a asa de uma pixie1 e branca como uma morte na neve, enquanto as outras pessoas na pista abrem uma roda ao nosso redor.

 

Ah, que vontade maluca de soltar uma garra, uma única garra para rasgar a garganta dessa vadia de uma orelha a outra, destroçando pele, músculos, veias e garganta! Que desejo alucinado de ver a dor em seus olhos verdes como o mar, misturada à certeza de que sua vidinha inútil chegou ao fim! Mas ainda não é chegado o momento, ela ainda terá mais algumas horas de vida. Mais tarde poderei, quem sabe, subir com ela para um dos quartos do hotel parcialmente abandonado acima de nós e mostrar-lhe um mundo de dor.

 

Olho em volta e me toco que terei que ficar esperto essa noite. Pelo canto dos olhos vejo sombras escorregadias, que desaparecem quando me viro para encará-las. Numa das áreas mais escuras da pista, bem debaixo de um poster gigante de Marilyn Monroe, dois sanguessugas observam o pedaço, procurando alguém para matar sua fome milenar. Já seria fácil reconhecer os palhaços pela extrema palidez de suas peles – porra, eles parecem quase transparentes! - mas o sutil cheiro de carniça neles não deixa dúvidas. Se eu ainda fosse como um dos cachorrinhos de Gaia, teria a obrigação de me revelar a eles, prevenindo-os de que estão no meu território. Como essa maldita politicagem me enoja!

 

Ainda me lembro da época em que eu era um desses malditos que seguem as ordens da fraca deusa, como um bando de totós, lassies ou benjies; ainda me lembro daquele papo-furado sobre Gaia e a grande missão dos licantropos de purificar e equilibrar novamente o mundo. Mas me lembro muito melhor da noite em que a máscara caiu, revelando toda a podridão que me cercava.

 

Era uma noite de chuva de finais de março, e eu estava sendo caçado pelos de minha própria espécie. Meu crime? Ter quebrado uma maldita trégua e abatido duas sanguessugas. Claro que com minha sorte de vira-lata não podiam ser duas sanguessugas comuns, cujo desaparecimento só seria percebido por uma meia dúzia de vampiros vagabundos. Não, uma delas tinha que ser uma espécie de princesa de sangue, favorita de um dos altos figurões dos malditos mortos-vivos. Em questão de semanas, minha vida virou um inferno, fui banido do convívio dos meus pares – ou pelo menos, dos que eu julgava como meus iguais naquela época, perdi minha casa e tudo o que tinha, passando a viver como um fugitivo. Por Hel, isso faz quanto tempo? Quinze, vinte anos?

 

Voltando a minha punição...eu estava perdido, ferrado de todos os jeitos. Estava cercado numa antiga fábrica abandonada na região do Brás, na verdade pouco mais do que um galpão destelhado, cheio de entulho e merda de mendigo por todos os lados. Sentia algumas costelas soltas, meus olhos já estavam fechados de tanta pancada, um braço pendia de lado, inutilizado, pingando sangue. Pelo meu corpo, marcas de mordida e pedaços de pêlo arrancado marcavam claramente cada um dos golpes sofridos. Já me preparava para vender caro minha pele para cinco dos mais fodidos licantropos de toda Sampa, e quem sabe levar um deles comigo pro quinto dos infernos, quando o tempo simplesmente pareceu desacelerar, quase parar. De repente, era como se eu me movesse entre eles, me senti num maldito museu de cera. E acima de nós, flutuando metros acima de minha cabeça, lá estava Ela, a verdadeira Deusa, envolta num bruxuleante brilho opaco. E como ela estava diabolicamente linda!

 

As mais diversas culturas ao redor do mundo a chamaram por inúmeros nomes através dos séculos. Nyx. Kali. Persefones. Ament. Eu prefiro chamá-la de Hel, a deusa da morte, aquela que acolheu o primeiro dos homens, e ainda estará lá para conduzir o último dos inúteis humanos rumo ao seu destino final.

 

Ela sorria para mim, de um jeito tão doce quanto obsceno, sua voz soando diretamente na minha medula. Nada de palavras de falso consolo, apenas a verdade nua e crua sobre a minha natureza, sobre meu verdadeiro papel no mundo. Descendo ao chão, ajoelhou-se ao meu lado, e tocando meu focinho arrebentado sussurrou em meu ouvido – Meu lobo...

Toda a dor que eu já tinha sentido naquela noite pareceu pequena perto do que veio em seguida – senti cada pedaço de meus músculos se rompendo de vez, apenas para se reconstruir, de uma nova maneira, com um novo trançado, mais forte e vigoroso. Ossos quebrados foram se esfarelando e ressurgindo no devido lugar, fortificados, órgãos danificados foram liqüefeitos e substituídos por novos. E todo o tempo o maldito sorriso não abandonou Seus lábios. Instantes viraram minutos de dor, enquanto meu corpo era inteiramente refeito. Naquele momento renasci para o mundo, para assumir meu lugar como um soldado de Hel, um servo da morte.

 

Minhas primeiras vitimas foram aqueles que minutos antes se vangloriavam de serem meus algozes, os desgraçados servos de Gaia. Quando o tempo voltou ao normal, marcando o começo da minha nova vida, afundei minhas novas garras em vísceras, costelas e sangue. Sob o olhar cheio de desejo e aprovação de Hel, derrubei um a um meus oponentes e profanei o mais sagrado dos votos dos licantropos, absorvendo sua alma, sua força e coragem.

1Pixies são criaturas mitólogicas, muito comuns na literatura da era vitoriana; maiores dúvidas, procure no Google!!

Escrito por Caio Bezarias e André Pavesi às 19h54
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Vinte anos depois - parte II, por André L. Pavesi, com revisão de Caio Bezarias

 

Acordei dias depois, numa cama que reconheci como minha, embora nunca tivesse botado minhas patas naquele lugar. De alguma forma, sabia que o apartamento de cobertura, a antiga suíte presidencial do abandonado Manchester Hotel seria meu novo lar, minha nova toca para uma nova vida.

 

Ah, como tem sido infernalmente gloriosa essa vida! De alguma forma o lobo que eu era foi apagado para sempre da existência. Mesmo o mais habilidoso dos caçadores de Gaia não reconhecia meu rastro – pelo Nove Círculos, desde então eu tenho circulado como um mero humano bem debaixo de seus focinhos bastardos!

Pelos anos seguintes, me tornei uma nova lenda urbana na metrópole que nunca dorme. O caçador negro, a-morte-que-anda, uma verdadeira história de terror para os licantropos de minha terra. Tirei de circulação mais vampiros e lobisomens do que imaginava possível, reservando a cada um deles um destino especial. Ah, ainda me lembro da cara de Lúcio quando entrou numa segunda-feira de manhã em seu escritório e achou a cabeça de sua concubina favorita largada sobre sua mesa de trabalho!! Assim como me lembro do pavor irracional, do cheiro do medo saindo de cada poro da amaldiçoada Ingrid enquanto segurava sua carcaça contra os raios do sol nascente.

 

 

Mas certamente minha bela parceira dessa noite nem faz idéia de nada disso; para ela, eu sou apenas um sujeito boa-pinta, passado dos trinta anos e que a leva a loucura, participando dos seus joguinhos patéticos de sedução. Para seus planos, eu sou pouco mais do que uma refeição cozinhando em banho-maria. Não, ela não é uma sanguessuga. Ela é pior do que isso, é uma humana viciada em jogos de sexo e perversão tão doentios que a levaram ao mais inumano dos atos – drogar-se com o sangue podre de um vampiro, e no pico mais louco dessa viagem transar com um morto-vivo, sabendo o que ele é. Mas pior do que isso, ela é uma fornecedora, levando garotos e garotas para seus amiguinhos sanguessugas se alimentarem.

 

 

Ela se aproxima de mim mais uma vez, deliciosa em seu espartilho vermelho, longas pernas enfiadas em botas pretas de cano alto. Diz que quer ir embora, insinuando que teremos várias paradas no caminho. - Quanto uma vadia pode ser previsível? Basta darmos a volta no quarteirão para chegarmos à entrada do Manchester Hotel, meu lar no últimos 20 anos. Nos anos setenta, o Manchester foi um marco de luxo e gosto duvidoso, mesmo para os padrões da época. Mas o grand hotel tinha duas caras - de fachada, um glamouroso ponto de encontro do jet set mundial, um oásis primeiro-mundista no terceiro mundo paulistano. Mas, como todo grande hotel, mantinha sua sujeira varrida pra debaixo do tapete, guardando segredos que fariam corar Nelson Rodrigues, cheio de quartos e andares para uso exclusivo de alguns poucos e maus. Durante toda a década de oitenta a decadência do lugar foi visível. Aos poucos, antigos habitués o deixaram de lado, algumas atividades ilegais – prostitutas, jogatina, drogas, pode escolher - simplesmente migraram para outras paradas, outro hotéis, menores e menos espalhafatosos, mas não menos podres. Finalmente, na virada dos anos 90, o grande Manchester Hotel, o número 1 na hospedagem de todo tipo de grã-fino, de presidentes a misses do mundo todo, abriu falência. Com o passar dos anos, alguns sócios morreram, os andares foram sendo fatiados e transformados em cinzentos escritórios, sem nem sinal do que fora até alguns anos antes. Uma ala inteira do hotel – adivinhe, justamente os andares bukowskianos, secretos do lugar – ficou trancada, reservada sem ocupação, até que me mudei para sua cobertura.

 

 

O caminho entre o bar e um dos quartos do Manchester é marcado por beijos espalhafatosamente quentes, o gosto de Scotch e tabaco impregnando minha garganta. Já no elevador, as carícias aumentam ainda mais de intensidade, justificando uma parada rápida para uma trepada mais rápida ainda, o que apenas fez aumentar a ferocidade de seu ataque sensual.

 

Cerca de uma hora depois, ela dorme em meus braços, com todos os instintos do baixo ventre satisfeitos. Ou pelo menos parece dormir, com esse tipo de gente nunca nada é o que parece ser. Levanto-me e vou até o banheiro, onde a diversão começa. Hel, eu simplesmente adoro essa parte, a hora do show! Em segundos, assumo minha forma natural, um pesadelo de pêlos negros e garras afiadas, trezentos e cinquenta quilos de dor e morte. A transformação continua tão dolorosa como da primeira vez – a dor infinita é um tributo pequeno a se pagar para quem quer seguir os caminhos de Hel.

 

As vezes, faço uma cena digna de filmes de terror – começo a me contorcer e gemer, me transformando lentamente diante de olhos cada vez mais esbugalhados, me divertindo pacas vendo a sanidade escorrer pelas orelhas de minha futura vítima. Mas com ela prefiro o tratamento brutal: arranco a porta do banheiro com uma patada, e pulo no quarto rosnando e babando como uma fera saída do Inferno – e não é exatamente isso que sou? Pela sua reação, ela devia mesmo estar dormindo naquele momento, não há como confundir tão clara transição, da cara amassada de quem acorda de supetão para uma expressão de puro pavor primitivo. Sua primeira reação, além de molhar o que restava de lençóis limpos da cama, é gritar como uma louca. Por um instante achei que ela fosse desmaiar, estragando toda a diversão da noite. Mas, depois de alcançar vários decibéis com seu berros, ela parece tremer da cabeça aos pés e despertar pra vida, saindo em disparada pela porta do quarto. Apenas como medida de incentivo, capricho num novo urro amaldiçoado, daqueles que parecem ecoar por toda a eternidade na cabeça de quem os ouve.

Tadinha da graciosa Ivana – ela sai em disparada, buscando primeiro os elevadores – emperrados por mim, claro – depois as escadas de serviço no final do corredor dos quartos, onde a saída para os andares superiores também está trancada, forçando-a a descer. Mantenho uma certa distância, perto o suficiente para que ela continue apavorada, e a sigo escada abaixo. Dois andares depois, ela encontra uma porta aberta, entrando em mais um corredor cheio de quartos. Um corredor escuro da ala abandonada do hotel. Exatamente como eu queria, ah!

 

 

Nas entranhas mais profundas do Manchester, num ponto que se ainda estivesse neste plano de existência seria bem no meio do antigo hotel, existe um tipo de loft, um antigo salão de festas. Suas janelas altas e estreitas foram construídas como seteiras dos antigos castelos medievais, protegendo o ambiente de qualquer interferência do mundo externo – um mundo externo em constante mutação, mas nem sempre amigável. Nos meus primeiros tempos no Manchester, encontrei esse lugar, com sua mistura única de cheiros e rastros, algo nauseantes, algo envolventes. Afastei todos os móveis e tranqueiras amontoadas nesse salão, limpando-o de tudo. Com a troca da porta por uma de aço reforçado e o reforço das janelas altas, tornei o antigo palco de inimagináveis orgias e profanações sem fim das ordens vazias de Gaia numa masmorra inviolável. Uma vez trancada a porta, nem uma porra de uma guerra nuclear pode coloca-la abaixo.

 

É justamente essa porta que Ivana vê no final de um longo caminho, provavelmente o mais apavorante de sua curta vida, depois de avançar aos tropeções por um verdadeiro labirinto de corredores escuros e portas trancadas. Ao longo dessa tão deliciosa caçada, assumi um comportamento de errático, inconstante, apenas para aumentar ainda mais a pressão sobre ela. Quando ela disparava alucinada, correndo e tropeçando no escuro sem nem mesmo ver o caminho, eu avançava no mais completo silêncio, como só um caçador noturno sabe fazer, apenas para me aproximar dela e urrar bem ao lado do seu rostinho lindo, encharcado de lágrimas e suor, sua pesada maquiagem escorrendo como pequenos filetes de sangue. Em seguida, socava a parede ao seu lado, ou passava minhas garras no pelo chão, cortando filetes no carpete, minha respiração monstruosa preenchendo todo o ambiente.

 

Fecho a porta atrás de Ivana, trancando para sempre. Nesse momento imagino que ela esteja mais confusa e cansada do que propriamente assustada. Deve estar olhando em volta, imaginando que encontrou um lugar seguro, longe de minhas garras.

Longe das minhas garras pode até ser, mas seguro...ah! Ao longo dos últimos vinte anos, tirei de circulação um sem-número de vampiros. A maioria encontrou um fim às vezes rápido, às vezes lento, mas sempre sangrento e doloroso em minhas garras. Mas para alguns, escolhidos diretamente por Hel em todo Seu sinistro esplendor, reservei um destino especial. Imagine o que é para esses filhos da noite, desgraçados amaldiçoados até o final dos tempos, ver o sol nascer por pequenas janelas – eu diria parecidas com seteiras de castelos medievais – sem poderem se alimentar, sem um simples esguicho de sangue para sacia-los. Imagine como a dor e a fome corrompem sua consciência, reduzindo-os a pouco mais do que animais.

Quanto tempo um petisco como a deliciosa Ivana, linda e doce, banhada em lágrimas e suor, transpirando medo por todos seus poros, durará trancada com eles?

 

 

Escrito por Caio Bezarias e André Pavesi às 19h51
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23/06/2009


Preview do conto-que-ainda-vai-ter-um-nome

Saudações noturnas,

Após um hiato loongo demais, estou de volta com mais um preview do meu próximo conto, que como o título do post já diz, ainda não tem um nome definitivo - vamos chama-lo por enquanto de "Vinte anos depois...".

É mais um caso clássico de como eu começo um conto jurando de pés juntos que ele vai seguir numa direção, ter um certo tipo de citações e cenário, e de repente ele simplesmente empaca nesse caminho - eu fico ali puxando, empurrando, praticamente implorando pro diacho do conto se mover na direção que eu achava que seria a mais correta, e ele simplesmente me olha com aquela cara de paisagem e permanece empacado. até que um momento, remoendo as idéias em algum ponto do caminho, ele simplesmente olha para outro lado e dispara numa direção totalmente nova.

Bom, chega de blá-blá-bla´...segue abaixo o preview do "Vinte anos depois..."

Até a próxima,

A.

 

"Com um movimento estudado de corpo, joga seus longos cabelos bicolores sobre um dos ombros, revelando pescoço, nuca e um perfume infernalmente doce. Antes que eu mesmo perceba o que estou fazendo, envolvo seu corpo com meus braços, e me uno a sua dança. Seguimos até o meio da pista, enlaçados e perdidos para o mundo. Ela me provoca ao máximo, nesse nauseante joguinho de sedução e repulsa. Ah, que vontade louca de rasgar sua garganta, um único talho, de uma orelha a outra, uma única garra rasgando pele e garganta! Que desejo alucinado de ver a dor em seus olhos verdes como o mar, misturada a certeza de que sua vidinha inútil chegou ao fim! Mas ainda não é chegado o momento, e ela ainda terá mais algumas horas de vida. Mais tarde vou subir com ela para um dos quartos do hotel abandonado acima de nós e mostrar para ela um mundo de dor."

 

Escrito por Caio Bezarias e André Pavesi às 22h51
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11/06/2009


Novo link

Boa noite a todos!

Temos o prazer de comunicar o acréscimo de mais um endereço a abrilhantar nossa seção de links: o blog de Cristina Lasaitis, escritora de ficção científica e fantasia, que tivemos o prazer de conhecer e conversar, no último sábado, em evento da Tarja Editorial, de São Paulo. Cristina é uma escritora muito imaginativa e com olhos argutos voltados para as contradições de nosso mundo e  denossa cidade. Não deixem de visitar, ler os textos e comentar.

Saudações etílicas a todos.

Escrito por Caio Bezarias e André Pavesi às 23h41
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07/06/2009


Atribuições de um licantropo. Ou: tornar-se jovem aos 35 - parte I. Por Caio Bezarias, revisão de André L. Pavesi

Junho de 1986, Tucuruvi, zona norte de São Paulo              

A noite era fria, fria como eram as noites de junho em São Paulo, há não tantos anos. Nuvens brancas e densas corriam pelo céu, mostrando e escondendo as estrelas, poucas mas bem nítidas. Apesar da temperatura, o ar era agradável de respirar. Havia pouco movimento nas ruas, uma ou outra pessoa bem agasalhada que corria para casa e para a TV; era um bairro de gente simples e de gente simplória. Em um sobrado de esquina, alguém estava sentado sobre uma mureta meio torta: um rapaz magro mas alto e bem proporcionado para sua idade, que não fazia nada de especial, apenas olhava o mundo: a brancura das nuvens galopando pelo céu parecia feita por um pintor divino, o piscar das estrelas era mágica pregada no céu, as luzes dos poucos prédios que então havia na região eram cada uma um segredo a ser desvendado. Todas as coisas transmitiam um som, um acorde, um brilho, um sinal insinuando um mundo empolgante e cheio de descobertas, quando ele fosse adulto e dominasse a capacidade e os recursos para se mover entre lugares e pessoas que agora o impressionavam e enchiam-no de curiosidade e desejo.   

Ele estava maravilhado com o futuro que seus sonhos e descobertas prometiam – claro, o que ele já sabia e experimentara era pouco, tinha somente 13 anos... – As leituras  que pouco a pouco fazia, as muitas canções falando de amores profundos e sofridos, de emoções intensas e assustadoras e os relatos dos seus vizinhos mais velhos descortinavam uma cidade violenta e repleta de tribos estranhas e fascinantes, que se enfrentavam e se misturavam lá longe, em porões escuros e barulhentos no Centro da cidade,  tudo um mosaico que ele iria decifrar e colorir.

Ele estava cheio da energia que enlouquece o adolescente e o faz descobrir que a vida é um sem-fim de possibilidades. E ele era jovem, faria tudo que sonhava e o que não sonhava, tinha tantos e movimentados anos a sua frente.

Os poucos que passavam não deixavam de notá-lo: parecia mais alto do que realmente era e em seu rosto ainda imberbe e sem barba estava marcado tudo que corria em seu interior, naquele momento mágico. Uns riram,  julgando-o apenas mais um menino boboca; vizinhos e conhecidos, sabedores de seu hábito de observar as estrelas nada diziam ou davam um aceno,  e uma mulher de trinta anos, metida em um casaco longo e pesado, rosto marcado por  uma mistura de sabedoria e amargura, dirigiu-lhe uma observação meio jocosa, que  não entendeu e ainda retribuiu com um sorriso.

A última pessoa a passar pela rua estreita e tortuosa, antes de ele se recolher, cedo, foi a mais importante, mas ele nunca soube. Um homem de altura média, cabelo escuro e cheios de caracóis, rosto marcado e vivo, vestindo roupas típicas da década anterior, veio da direita, caminhando sem pressa alguma; não interrompeu por um único instante o passo lento e regular nem dispensou o mais breve  olhar para o garoto,  pois sabia sua tarefa desde que Gaia o chamara,  há poucos minutos,  tirando-o da chácara centenária e meio abandonada  que resistia ali perto, a uns duzentos metros de distância, onde ele e mais dois lobisomens, convocados pela Mãe-Terra, faziam uma espécie de ritual para concentrar e depois espalhar sua energia vital entre seus filhos ingratos e cegos. E foi justamente isso que o tirou do galpão meio apodrecido em que ele e os parceiros trabalhavam para o bem dos humanos mas também contra eles: A imagem do garoto, sentado, acompanhada de algo semelhante a um choque elétrico, em que ecoava a ordem de  impregná-lo com a energia vital que eles estavam ali concentrando, pois se ele a recebesse e soubesse conservá-la e usá-la, seria um importante agente de Gaia sem saber, espalharia entre a decadente infinidade humana  a energia da vida autêntica.  

Assim fez Lúcio, como sempre fez em seus mais de duzentos anos de vida: pôs de lado o que fazia e obedeceu de pronto a Mãe-Terra, sem dúvidas ou questionamentos. Enquanto passava , ligou-se à energia corporal do rapaz, energia que era pura emanação de Gaia, como a natureza e ser do lobisomem também eram, e  impregnou-o com o máximo da força e do desejo de viver sem limites, sem medo de trazer caos e sofrimento a quem quer que fosse – mesmo a si mesmo – se  isso fosse condição para viver de fato, como a Mãe de Todos ordenou-lhe.

Lúcio partiu, sereno, sem se importar com o que a força desmedida que inoculou no rapaz causaria em sua vida futura.

Naquela noite o garoto foi dormir esperançoso e exaltado, imaginando mil possibilidades e maravilhas para sua vida, certo de que seria interessante e movimentada e começaria de fato em breve.                         

Escrito por Caio Bezarias e André Pavesi às 02h04
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Atribuições de um licantropo. Ou: tornar-se jovem aos 35 - parte II. Por Caio Bezarias, revisão de André L. Pavesi

Julho de 2008, Rua 24 de maio, centro novo de São Paulo

                Fim de tarde, sexta-feira, as ruas do Centro apinhadas. Escriturários, gerentes, chefes, contínuos, secretárias, técnicos e bancários, vendedores, balconistas e outros mais se apressavam em correr para casa ou buscavam uma mesa de bar para relaxar, após uma semana, um mês, um ano, uma vida inteira matando a si mesmos nos cubículos, escritórios e lojas que enchiam prédios de formas geométricas e sem beleza do Centro da cidade.

                Ninguém se destacava em meio à massa. Todos eram cinzentos, cansados e fartos, e muitos já pareciam meio mortos, sem vitalidade ou essência, a vida sugada e substituída por rotina, obrigações,  desejos e ambições que na maioria das vezes não eram seus, mas instrumentos de interesses alheios.              

                As pessoas mal reparavam umas nas outras, estavam fechadas em suas conchas de pequenos dramas, ambições e frustrações, e ainda julgavam seu drama particular o mais profundo e desesperador de todos os dramas que faziam de São Paulo o que é. Assim sentia-se um  sujeito de pouco mais de trinta anos, alto, precocemente grisalho, olhar bravio, preso dentro de um terno barato, um sofredor e injustiçado, que ao passar por uma galeria da 24 de maio, apinhada de bares e  de gente que iniciava seu fim de semana do modo mais sensato possível – embriagando-se –  resolveu fazer o mesmo, pois lembrou-se da mulher já o esperando, de suas  exigências e reclamações e dos três filhos estridentes.

                Nenhum dos “colegas” de trabalho estava com ele, e isso era bom, estar sozinho era sua melhor terapia. Sentou-se na primeira mesa desocupada que encontrou, pediu cerveja ao atendente e pôs-se a assistir ao mundo fluir, enquanto a bebida fluía pelo corpo e aos poucos acalmava sua cabeça.

                Os pensamentos que tanto lhe atormentavam (O que dera errado? O que tinha feito de sua vida? O único responsável pela desgraça em que afundou era ele mesmo. Não havia saída, viveria e morreria infeliz e sufocado) não vieram e torturaram, como ocorria várias vezes ao dia. Deslizaram pela consciência e desapareceram, talvez expulsos pelo álcool, e deram lugar a uma terna nostalgia para com seu começo de juventude, quando a vida parecia um sem-fim de promessas e ele imaginava-se capaz de virar o mundo do avesso, em nome de sua realização pessoal, da aventura e do novo.

                O princípio da adolescência sem dúvida era a melhor porção da vida, depois, somente desgostos e problemas, pensou. Adolescência em que nas noites de sexta-feira esperava os pais dormirem para, silencioso como um rato, voltar para a sala, ligar a TV e deliciar-se com as deusas seminuas do Sala Especial, pois ainda não havia conhecido uma mulher e o sexo era  a maior das maravilhas que o futuro reservava. Sim, tempos fáceis e divertidos, em que aqueles filmes e seus tipos e roupas bizarros não eram ridículos. Tipos vestidos exatamente como o que ocupava a mesa bem a sua frente.  O homem não era mais um rapaz mas exibia boa forma, vestia-se com roupas quase exóticas: blazer bege  meio curto riscado por listras vermelho-escuro que formavam quadrados, sapatos impecáveis de bico fino e brilho intenso, gravata curta e cinza, camisa de seda verde-clara. O cabelo encaracolado precisava de um corte, e no rosto barbeado e moreno destacavam-se os olhos confiantes e a expressão, o cara sem dúvida era um cafajeste convicto e orgulhoso, como se saído de um daqueles filmes que tanto embalaram seus tempos de rapaz, tempos de  festinhas e bailes nos sábados à noite, improvisados em garagens, quando ele e seus amigos deslizavam suas mãos por cada parte do corpo das meninas, tentando apalpar os seios e as calcinhas durante danças de corpos e outras coisas grudadas, tempos em que a música e seus grandes heróis davam resposta e sentido para tudo, as garotas eram menos agressivas e interesseiras, a cidade um atraente labirinto de descobertas e prazeres.   

                Juventude, para onde fora? O que o mundo e principalmente ele tinha feito a si mesmo? Por que abandonou o sonho de ser músico e deixou o que deveria ser somente sua forma de sustento se tornar sua vida, a ponto de concluir um curso imbecil, o curso dos “idiotas que não sabem o que querem da vida, querem apenas ganhar dinheiro e não viver”, como dizia um amigo mais velho daquela época, sobre o curso de administração, que ele tanto odiou e ainda odiava.

                Mas algo ocorreu, diferente das demais tardes de sexta-feira, em que o ritual deixar o trabalho-embebedar-se-chegar em casa- discutir  com a inimiga que diziam ser sua esposa se repetia, semana após semana, mês após mês, ano após ano: descobriu onde a energia da juventude se enfiou e essa descoberta o fez um rapaz de novo, as lembranças da adolescência não eram mais dolorosos avisos de seu fracasso. Não lembrou-se do rapaz cheio de energia e planos que foi, voltou a ser esse rapaz. Os dias memoráveis, em que mostrou esperteza e rapidez insuspeitas para sua pouca idade; as noites de alegria, beijos e alguma lascívia; as letras bobas mas sinceras que escrevia aos montes, para serem cantadas pelo grupo de rock que nunca formou, tudo isso, ele descobriu ali, vinte anos depois, não esteve morto, apenas oculto e esquecido.

                O renovado rapaz, o garoto cheio de energia que renasceu naquela tarde quente e estranha compreendeu bem rápido algo muito importante: primeiro, antes de recriar sua vida e dar vazão àquela energia imensa, deliciosa e perigosa, que  tinha retornado tamanha que não poderia mais ser calada ou reprimida, antes ele deveria reduzir sua vida a um nada doloroso. Para ser recriada, deveria ser destruída. Mas houve algo desse fim de tarde que nunca percebeu: o renascimento de sua juventude ocorreu durante e logo após o sujeito vestido como um cafajeste dos anos 70 dirigir-lhe um olhar fixo mas muito breve.

O homem que voltara a ser jovem liquidou a cerveja, pagou e foi cuidar de sua nova vida. Já Lúcio reaprendeu algo que quase esquecera, tantas foram as atribulações, confusões e problemas que tivera nas últimas décadas: ele e os outros licantropos não eram apenas furiosos guardiães de Gaia a protegê-la dos homens. Mantê-la viva e forte também significava espalhar sua energia entre os humanos, a energia que anima a vida, sem nenhuma amarra ou limite, ignorando as conseqüências mais particulares e exatas que isso poderia gerar. Os homens e sua sociedade estavam por demais dominados pela Sombra do Sidh e precisavam reencontrar-se com sua essência, que não estava perdida, como muitos, até entre os licantropos, julgavam.

Lúcio, ao reencontrar o garoto de 1986 e fazê-lo ressurgir, redescobriu que os lobisomens não eram somente mestres severos ou predadores dos homens, eram também seus companheiros na jornada através das veredas e caminhos escuros do planeta, através dos jardins de Gaia.

 

Escrito por Caio Bezarias e André Pavesi às 02h02
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23/05/2009


Trechos do próximo conto

Boa noite a todos!

Sim, sabemos que não postamos nada ou damos sinal de vida há tempos. Por isso, essa mensagem contém trechos de um conto a ser postado em breve, no qual há uma tentativa de alargar o universo dos licantropos, seu relacionamento com os humanos e seus deveres, por meio do relato de um evento do passado de nosso amigo Lúcio.  Obrigado pela paciência e por acessar o blog e saudações etílicas a todos.

 

 

Junho de 1986, zona norte de São Paulo   

A noite era fria, fria como eram as noites de junho em São Paulo, há não tantos anos. Nuvens brancas e densas corriam pelo céu, mostrando durante um instante as estrelas, poucas mas bem nítidas. Apesar da temperatura, o ar era agradável de se respirar, límpido e revigorante. Havia pouco movimento nas ruas,  uma ou outra pessoa bem agasalhada que corria para casa  e para a TV; era um bairro de gente simples e de gente simplória. Num sobrado de esquina, havia alguém sentado sobre uma mureta meio torta, um rapaz, magro, mas alto e bem proporcionado para sua idade, que não fazia nada de especial, ele apenas olhava o mundo: a brancura das nuvens galopando pelo céu parecia feita por um pintor divino, o piscar das estrelas era mágica pregada no céu, as luzes dos poucos prédios que então havia na região eram cada uma um segredo que ele um dia desvendaria.                  

                        A última pessoa que passou pela rua estreita e tortuosa, antes de ele se recolher, foi a mais importante, mas ele nunca soube. Um homem de altura média, cabelo escuro e cheios de caracóis, rosto marcado e vivo, vestindo roupas típicas da década anterior, que lhe davam um ar de cafajeste rico, de playboy da década de 70,  veio da direita, caminhando sem pressa alguma; ele não interrompeu por um único instante seu passo lento e regular e dirigiu o menor ou mais breve  olhar para o garoto, pois sabia quem ele era e o que deveria fazer desde o momento em que Gaia o chamara, há poucos minutos, mandando-o sair da centenária e meio abandonada  chácara que resistia ali perto, a uns duzentos metros de distância, onde ele e mais dois lobisomens, convocados pela Mãe-Terra,  faziam uma espécie de ritual para concentrar e depois espalhar sua energia vital entre seus filhos ingratos e cegos. 

              

Julho de 2008, Praça da República, centro novo de São Paulo

                Era fim de uma tarde sexta-feira. As ruas do Centro apinhadas dos escriturários, gerentes, chefes, contínuos, secretárias, técnicos e bancários que se apressavam para correr para casa ou buscavam uma mesa de bar para relaxarem, após uma semana, um mês, um ano, uma vida inteira matando a si mesmos em um cubículo horroroso enfiado em um ambiente horrendo em um prédio qualquer de formas geométricas e mortas do Centro da cidade.

                Ninguém se destacava em meio à massa. Todos eram cinzentos, cansados e fartos, e muitos já pareciam meio mortos, sem vitalidade ou essência, a vida sugada e substituída por rotina, por obrigações e por desejos e ambições que na maioria das vezes não eram seus, mas instrumentos de interesses alheios.              

 

Escrito por Caio Bezarias e André Pavesi às 01h38
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06/04/2009


Novo Link

Boa noite a todos.

Adicionamos um novo link, um que nos deixa particularmente feliz: o blog Filmes de Lobisomem, sem dúvida o melhor blog em português sobre os homens-fera, agora consta em nossa barra de links e nos adicionou a sua. (Obrigado aos proprietários). Não deixe de visitar e ler os textos: é um guia completíssimo sobre longa-metragens de terror dedicados aos licantropos.

Saudações noturnas e etílicas

Escrito por Caio Bezarias e André Pavesi às 19h45
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28/03/2009


28!

Após longos e angustiantes meses de espera, tão torturantes e macabros como a mais abjeta e terrível monstruosidade sobrenatural  se abatendo sobre uma vítima imóvel e indefesa, nós autores de Carpe Noctem fomos finalmente agraciados com o vigésimo oitavo comentário! Sim, após quase cinco meses de expectativa, noites insones de vigília no campo comentáriosdo menu do blog, embaladas a cerveja e muita leitura de textos fantásticos, eis que alguém resolve postar um simples mas preciso comentário, que encheu de alegria esses escribas vulgares! Ao William, meu ex-aluno, todo nosso agradecimento, ao quebrar o número de  comentários ao qual parecíamos fadados, como uma maldição a envolver nosso blog. E aos leitores que frequentam o blog - nós sabemos que vocês existem - nosso humilde pedido: sigam o exemplo desse rapaz e comentem, por favor.

Saudações etílicas e noturnas 

Escrito por Caio Bezarias e André Pavesi às 00h56
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04/03/2009


Nós, escritores - por Caio Bezarias, com revisão de André L. Pavesi

O prezado leitor já ouviu ou leu que os escritores, ao criarem e conduzirem seus universos ficcionais, sentem-se deuses, seres supremos dos mundos que manipulam? Bem, isso é a verdade pura e bruta. Nós queremos ser e nos sentir deuses, divindades exóticas e perversas que fazem o que bem entendem com os seres que criam, dando-lhes glória ou tormento sem fim, destruindo-os ou elevando-os ao máximo que nossa imaginação puder, apenas pelo prazer de criar histórias envolventes. Mas dos deuses não queremos somente a onipotência: também queremos ter a onisciência que parece tão impossível em uma cidade como São Paulo. Pois ao colher o material que é a base das narrativas de Carpe Noctem, nós, seus autores, também queremos realizar a crônica definitiva da cidade, de suas perdições, excessos e horrores. Enquanto perambulamos, observamos, conversamos, registramos e divagamos, enfim, vivemos, nós buscamos a súmula final, a sabedoria última sobre a “cidade que não pode parar” não importa a que custo, como se pudéssemos absorver e compreender todo acontecimento e segredo que as ruas, becos, prédios, ruínas, monumentos, bares e esquinas e claro, todos os rostos de São Paulo guardam, como se fosse possível dar-lhes uma forma única e coerente e transformá-los em nossa literatura barata.

         Já ouviu falar que escritores também são pretensiosos e se acham o máximo?

 

Escrito por Caio Bezarias e André Pavesi às 18h33
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25/02/2009


Novidades no blog!

Saudações noturnas,

 

Com o começo pra valer do ano em terras brasilis, começamos a implementar algumas novidades no blog; a primeira delas será a inclusão do que chamamos de "pequenos enxertos narrativos", na forma de microcontos, comentários sobre literatura, arte, e o oficio de escrever. O post "Tubarões", logo abaixo, é o primeiro dessa nova empreitada.

 

Como sempre, esperamos os comentários, elogios, críticas e o que mais vier sobre o material.

 

Ab, A.

Escrito por Caio Bezarias e André Pavesi às 12h43
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Tubarões - por André L. Pavesi, com revisão de Caio Bezarias

 

Você já viu como ficam os tubarões quando farejam sangue na água?

 

Escritores são exatamente como eles.

 

Ficamos nadando por aquela tela em branco, olhando em volta, simplesmente buscando qual será a próxima palavra. As vezes elas somem, parecem nadar em outras correntes. As vezes elas surgem num maldito cardume, e mal temos tempo de ordená-las, sem que escape alguma.

 

Mas algumas vezes, há sangue na água. Há a paixão, a força e o frenesi incontroláveis de uma verdadeira história. Um peixe, dos grandes.

 

E nesse momento, somos como tubarões enlouquecidos, que mordem, rasgam e dilaceram tudo que ficar no meio do caminho. Mas, na melhores noites, pegamos nosso alvo.

 

Escrito por Caio Bezarias e André Pavesi às 12h35
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